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A Complexidade dos Golfinhos: Entre a Inteligência Extraordinária e o Comportamento Imprevisível

Iasmin Fernandes Emediato, Luiz Felipe Elver Santana Soares, Giovana Menezes Fabricio

Pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (UFSJ-CCO)

v.3, n.3, 2025

Março de 2025

Os golfinhos (Figura 1), são mamíferos aquáticos da ordem dos cetáceos. Esta tem como membros espécies como: baleias, golfinhos, botos, cachalotes, marsopas, narvais e belugas [1] (Figura2). O nome da ordem tem origem no termo grego "ketos", que significa "monstro marinho" [2].

 

Sendo reconhecidos por sua inteligência avançada e comportamentos sociais complexos, esses cetáceos, os golfinhos, possuem cérebros maiores e com mais neurônios do que os humanos [3]. A região do cérebro chamada córtex cerebral é altamente desenvolvida nestes animais, sendo responsável por suas habilidades cognitivas superiores, como raciocínio, abstração e comunicação sofisticada. Estudos revelam que eles reconhecem a própria imagem no espelho, utilizam assobios únicos como "nomes" e demonstram empatia e comportamentos éticos em grupo [3]. Porém, apesar de sua inteligência e sociabilidade, os golfinhos também podem exibir comportamentos cruéis, atacando outros animais ou até mesmo membros de sua própria espécie, frequentemente por diversão ou dominação [4-6].

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Os cientistas organizam as espécies em uma hierarquia classificatória composta por: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Algumas ordens são subdivididas em subordens e, em certos casos, em infraordens, como ocorre com os cetáceos (ordem à qual pertencem os golfinhos e as baleias), sendo ela dividida em dois grupos principais: Mysticeti, que inclui baleias sem dentes, como a baleia-azul, que filtram alimentos por meio de barbatanas, e Odontoceti, que abrange espécies com dentes, como golfinhos e orcas [1].

Umas de suas características mais marcantes é sua ecolocalização, sendo uma capacidade que possuem certos animais como os golfinhos e morcegos de emitirem ondas ultrassônicas (ondas sonoras emitidas além do limite de audição humana) e interpretarem eco para localizar objetos ou presas. Os golfinhos produzem sons através da passagem de ar pelos sacos aéreos, devido ao fechamento e à abertura da laringe, e amplificam esse som direcionando-o para o melão, um depósito de gordura que fica entre os olhos deles, que direciona  o som  para o ambiente.  Logo,  emitem sons  e  possuem um sistema auditivo para analisar os ecos [7]. Além disso, cada golfinho pode ter um assobio único, funcionando como uma espécie de identidade sonora [8].

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Figura 2: Exemplos de animais da ordem dos cetáceos.

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Cetacea.jpg

As orcas (Figura 3), também conhecidas como baleias assassinas, são uma espécie de golfinhos. O termo "baleia" é comumente associado a elas devido a seu tamanho, pois podem atingir até 9 metros de comprimento. Porém, genética e comportamentalmente, as orcas compartilham mais semelhanças com os golfinhos, como em relação aos dentes, à comunicação por cliques e à organização social complexa. As orcas e os golfinhos são oriundos de um ancestral comum, desafiando a ideia popular de que aqueles organismos popularmente conhecidos como baleias são sempre enormes e muito diferentes dos golfinhos [9].

Estes últimos possuem habilidades extraordinárias que os tornam únicos no reino animal. Eles podem dormir com metade do cérebro enquanto a outra metade permanece ativa, permitindo que mantenham sua vigilância e ecolocalização, mesmo durante o descanso [10].

A visão dos golfinhos é altamente desenvolvida, com um campo visual de 300 graus e capacidade de ver tanto dentro quanto fora da água. Além disso, a pele deles é especializada para reduzir o atrito, facilitando o nado, e prevenir parasitas de se aderirem nela. Sua eficiência respiratória permite que fiquem submersos por longos períodos e mergulhem a grandes profundidades. Também se destacam pela capacidade de regeneração, conseguindo cicatrizar ferimentos com incrível rapidez. Outro talento notável é a resistência a infecções, que os permite sobreviver a ferimentos graves sem contrair septicemia (que é conhecida popularmente como infecção generalizada, sendo causada por germes que entram na corrente sanguínea, podendo levar a uma reação em cadeia do corpo que afeta vários órgãos e sistemas, muitas vezes com risco de vida). Golfinhos também podem detectar campos elétricos de outros seres vivos, uma habilidade rara entre os mamíferos. Finalmente, sua incrível tolerância à dor, através da produção de analgésicos naturais, os ajuda a manter o desempenho mesmo em situações adversas [10]. 

No entanto, à medida que os cientistas aprofundam suas investigações, uma realidade sombria começa a emergir, desafiando a imagem pacífica dos golfinhos. Embora sua aparência simpática com sorrisos perpétuos e seus corpos ágeis sejam cativantes, eles tem demonstrado comportamentos considerados pelos humanos como violentos, com registros de assassinatos em massa de outras espécies marinhas, como os botos [4]. Diferente dos predadores que matam para se alimentar, os golfinhos parecem ser impulsionados por uma agressão territorial ou social, utilizando seus afiados dentes e bicos poderosos para causar lesões fatais. Há casos documentados em que grupos de golfinhos atacam outros mamíferos marinhos sem qualquer intenção de consumir suas vítimas [5]. 

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Figura 3: Orcas, que embora sejam chamadas de baleias assassinas se assemelham mais com os golfinhos do que com as baleias.

Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/1203739

Práticas de infanticídio (assassinato de recém-nascidos) foram também observadas entre os golfinhos, particularmente em situações com objetivo de forçar a fêmea a entrar no cio novamente, com a retirada do filhote de seus cuidados. Em um incidente na Escócia, por exemplo, um golfinho adulto foi observado repetidamente batendo um filhote contra a água até que o animal sucumbisse [4]. Também houveram registros de corpos de filhotes de golfinhos encontrados na Virgínia, com fraturas ósseas e marcas de mordidas que indicavam ataques de golfinhos adultos [5]. Esses atos de violência são raramente motivados por fome, mas sim por impulsos agressivos que podem ter raízes evolutivas, como a eliminação de rivais para garantir oportunidades reprodutivas [9].

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Figura 4: O baiacu é um peixe venenoso, também conhecido como peixe-balão, que pode ser encontrado em águas tropicais e subtropicais no mundo.

Fonte: https://www.flickr.com/photos/lotsemann/23675227601.

Outra característica de certos golfinhos são curiosas como aquela revelada por um registro da espécie golfinho-roaz gravado pelo cineasta John Downer. Evidenciou-se um comportamento surpreendente envolvendo baiacus (Figura 4), que são peixes que liberam toxinas como por exemplo a tetrodotoxina (Figura 5) [6].

 

Ao mordê-los, os golfinhos experimentam uma espécie de "alteração mental", possivelmente buscando um efeito de euforia. Embora não seja totalmente compreendido o motivo desse comportamento, ele é registrado em diversos estudos, com algumas hipóteses sugerindo que os golfinhos o façam por prazer ou curiosidade. Este comportamento pode ser comparado, de forma aproximada, ao uso de narcóticos (drogas) pelos seres humanos [6].

Os golfinhos são seres extraordinariamente inteligentes, com habilidades cognitivas e físicas impressionantes, como a ecolocalização e a capacidade de dormir com metade do cérebro.  Contudo,  seu comportamento não é apenas admirável, mas também complexo e, por vezes, agressivo, envolvendo práticas de violência, infanticídio e até o uso de toxinas de baiacus, sugerindo aspectos desconhecidos de sua natureza o que desafia a imagem pacífica da espécie. Esses aspectos de sua complexidade comportamental, aliados a sua habilidade para a sobrevivência e adaptação, fazem dos golfinhos um dos seres mais fascinantes e misteriosos do reino animal.

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Figura 5:  A Tetrodotoxina (TTX) é uma poderosa neurotoxina produzida por bactérias sendo encontrada nas várias espécies de baiacu que pertencem a família tetraodontidae

Fonte: Os autores, 2025.

Referências Bibliográficas

[1] INFOESCOLA. Cetáceos. Disponível através do link: https://www.infoescola.com/animais/cetaceos/. Acesso em: 07 mar. 2025.

[2] BIODIVERSITY4AL. Cetáceos (infraordem Cetacea). Disponível Disponível através do link: https://www.biodiversity4all.org/taxa/152871-Cetacea. Acesso em: 07 mar. 2025. 

[3] JUSBRASIL - Golfinhos e suas capacidades incríveis. Disponível Disponível através do link: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/golfinhos-e-suas-capacidades-incriveis/100680103. Acesso em: 07 mar. 2025. 

[4] Estrella C. 5 fatos que mostram o lado sombrio dos golfinhos. Disponível através do link: https://www.megacurioso.com.br/ciencia/120013-5-fatos-que-mostram-o-lado sombrio-dos-golfinhos.htm. Acesso em: 07 mar. 2025. 

[5] Broad WJ. Evidence Puts Dolphins In New Light, As Killers (Published 1999). The New York Times, 6 jul. 1999. 

[6] Uol. É verdade que golfinhos usam baiacus para ficarem “chapados”? Disponível através do link: https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2022/09/20/e-verdade-que-golfinhos-usam-baiacus-para-ficarem-chapados.htm. Acesso em: 07 mar. 2025.

[7] BRASIL ESCOLA. Ecolocalização. Disponível Disponível através do link: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/ecolocalizacao.htm. Acesso em: 07 mar. 2025.

[8] BIOLOGIANET. Ecolocalização dos golfinhos. Disponível através do link: https://www.biologianet.com/zoologia/ecolocalizacao-dos-golfinhos.htm. Acesso em: 07 mar. 2025.

[9] PETROBRÁS. A Orca é uma baleia ou um golfinho? Disponível através do link: https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/w/a-orca-e-uma-baleia-ou-um-golfinho-. Acesso em: 07 mar. 2025. 

[10] JUSBRASIL. 10 incríveis super-poderes dos golfinhos. Disponível através do link: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/10-incriveis-super-poderes-dos-golfinh os/111881943. Acesso em: 07 mar. 2025.

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