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O Mistério do Asteroide 2024 YR4

Luiz Felipe Elver Santana Soares

Pós-graduando do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (UFSJ-CCO)

v.3, n.3, 2025

Março de 2025

Cerca de sessenta e cinco milhões de anos atrás a história do Planeta Terra mudou drasticamente com um dos eventos mais famosos e marcantes da história: a extinção dos dinossauros (Figura 1).

Tal extinção foi causada por um asteroide de aproximadamente 9,7 a 14,5 quilômetros de diâmetro viajando a 25 quilômetros por segundo. Este colidiu com o que é hoje a Península de Yucatán, em Chicxulub, no  México. O evento foi capaz de causar a extinção de cerca de 75% dos animais terrestres, incluindo espécies de dinossauros. O impacto gerou uma nuvem de poeira que bloqueou o sol, resfriou o planeta, causou a extinção em massa de espécies e deixou uma marca química temporal de sessenta e seis milhões de anos ao redor do nosso planeta [1].

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Figura 1: Um asteroide movendo-se em direção à Terra, lembrando o evento catastrófico que, há 66 milhões de anos, levou à extinção dos dinossauros e mudou o curso da vida no planeta.

Fonte: https://www.freemalaysiatoday.com/category/leisure/2022/06/30/5-ways-to-stop-an-asteroid-from-crashing-into-earth/

Recentemente, no dia 27 de dezembro de 2024, o telescópio “Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System" (ATLAS), detectou, no Chile, o asteroide 2024 YR4 [2] (Figura 2). Tal asteroide passou perto da Terra o suficiente em 25 de dezembro, para permitir sua detecção. No entanto, cientistas acreditam que ele já tenha se aproximado antes do nosso planeta, em 2016, e agora buscam indícios destes registros anteriores para refinarem sua trajetória. Inicialmente, estimava-se uma chance superior a 1% de colisão com a Terra em 22 de dezembro de 2032, sendo que essas chances podem aumentar ou diminuir com o passar do tempo, tendo a possibilidade de nem mesmo ocorrer a colisão [2]. Observações subsequentes aumentaram essa estimativa para 3,1%, tornando-o o asteroide de maior risco já registrado de se chocar com a Terra [3]. No entanto, posteriormente, novas medições reduziram a probabilidade para 1,5%. Com um diâmetro entre 40 e 90 metros [4], um eventual impacto poderia destruir uma cidade inteira. A NASA  (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) e a ESA (Agência Espacial Europeia) continuam monitorando a trajetória do mesmo para refinar essas estimativas [3,4].

Esses valores de probabilidades de impactos colocaram o YR4 como asteroide de categoria 3 pela escala de Turim (escala esta que abrange as categorias de 0 a 10) [3]. A Escala de Turim é uma ferramenta que avalia o risco de colisão de asteroides e cometas com a Terra, combinando a probabilidade de impacto e o potencial destrutivo desses corpos celestes. Criada em 1995 pelo professor Richard P. Binzel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e adotada oficialmente em 1999 durante uma convenção da União Astronômica Internacional (UAI) em Turim, Itália, a escala classifica os riscos em níveis que vão de 0 a 10. O nível 0 indica nenhuma ameaça, enquanto o nível 10 representa uma colisão certa com potencial para causar uma catástrofe global [3]. Essa classificação ajuda cientistas e o público a compreenderem a gravidade de possíveis impactos e a planejarem medidas de resposta adequadas [3]. 

Os astrônomos estimam que o 2024 YR4 geraria uma explosão aérea com força equivalente a quase 8 milhões de toneladas de trinitrotolueno (TNT), cerca de 500 vezes a potência da bomba de Hiroshima [5]. O impacto teria efeitos significativos em um raio de aproximadamente 50 quilômetros ao redor do ponto de colisão. Especialistas, como David Rankin, engenheiro do Catalina Sky Survey Project da NASA, traçaram um “corredor de risco” (Figura 3) para o possível impacto do asteroide. Caso a probabilidade de impacto se confirme, ele poderá atingir uma faixa que se estende do norte da América do Sul, atravessando o Oceano Pacífico, até o sul da Ásia, o Mar Arábico e partes da África. Países como Índia, Paquistão, Bangladesh, Etiópia, Sudão, Nigéria, Venezuela, Colômbia e Equador estariam na zona de risco [5].

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Figura 2: Imagem do asteroide 2024 YR4, recentemente descoberto, viajando pelo espaço. 

Fonte: https://www.freemalaysiatoday.com/category/world/2025/02/25/probability-of-huge-asteroid-hitting-earth-down-to-0-001/

Atualmente, telescópios ao redor do mundo acompanham o asteroide que ainda está visível e continuará assim até abril de 2025, a partir de quando só será possível observá-lo novamente em 2028 [2]. À medida que novos dados são coletados os cálculos sobre o risco de impacto são atualizados. O próximo período de observação ocorrerá no final de 2028, quando o asteroide se aproximará novamente da Terra [6]. Nesse momento, os astrônomos poderão refinar suas estimativas e planejar eventuais intervenções. Enquanto isso, a comunidade científica segue o monitorando ciente de que, apesar da baixa probabilidade de um impacto direto, a preparação e o entendimento dos riscos são fundamentais para lidar-se com qualquer ameaça futura vinda do espaço.

A missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que utiliza uma sonda de impacto cinético, é uma técnica de desvio que poderia ser aplicada a asteroides perigosos no futuro, sendo essa técnica chamada de desvio cinético. No entanto, a eficácia dessa abordagem depende de várias características do asteroide, como seu tamanho, composição, órbita e o tempo disponível para ação. No caso do 2024 YR4 os cientistas ainda estão na fase de coleta de dados, e a probabilidade de impacto é muito baixa, provavelmente diminuindo conforme mais observações serão feitas. Por isso, ainda é cedo para especular sobre a aplicação de técnicas de desvio, como a mencionada, para esse asteroide [4]. Além do desvio cinético, cientistas estão estudando outra técnica que poderia ser usada, chamada tração gravitacional. Nessa abordagem, uma espaçonave grande seria colocada perto do asteroide para usar sua gravidade e, com o tempo, mudar a órbita do mesmo. Embora seja uma ideia promissora, ainda é necessário avançar na tecnologia e entender melhor como as órbitas funcionam para que essa técnica seja eficaz [6].

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Figura 3: Mapa mostrando o possível corredor de risco do asteroide 2024 YR4, indicando as regiões da Terra que poderiam ser impactadas caso ele entre na atmosfera.

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2024_YR4_risk_corridor.png

A missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que utiliza uma sonda de impacto cinético, é uma técnica de desvio que poderia ser aplicada a asteroides perigosos no futuro, sendo essa técnica chamada de desvio cinético. No entanto, a eficácia dessa abordagem depende de várias características do asteroide, como seu tamanho, composição, órbita e o tempo disponível para ação. No caso do 2024 YR4 os cientistas ainda estão na fase de coleta de dados, e a probabilidade de impacto é muito baixa, provavelmente diminuindo conforme mais observações serão feitas. Por isso, ainda é cedo para especular sobre a aplicação de técnicas de desvio, como a mencionada, para esse asteroide [4]. Além do desvio cinético, cientistas estão estudando outra técnica que poderia ser usada, chamada tração gravitacional. Nessa abordagem, uma espaçonave grande seria colocada perto do asteroide para usar sua gravidade e, com o tempo, mudar a órbita do mesmo. Embora seja uma ideia promissora, ainda é necessário avançar na tecnologia e entender melhor como as órbitas funcionam para que essa técnica seja eficaz [6].

O uso de armas nucleares para desviar ou destruir asteroides em rota de colisão com a Terra, apesar de parecer uma solução atraente devido ao poder destrutivo dessas armas, apresenta diversos desafios técnicos e políticos. Primeiramente, a falta de testes no espaço gera incertezas sobre o possível sucesso, já que a explosão pode fragmentar o asteroide, criando múltiplos fragmentos que ainda representariam uma ameaça. Além disso, há questões geopolíticas complexas, como o risco de aumentar tensões internacionais e os perigos de um acidente, como a detonação prematura da arma, que causaria danos colaterais, como poluição radioativa. Por essas razões, as armas nucleares são vistas como uma última opção, com cientistas e agências espaciais focando em alternativas mais seguras, como desvio cinético e tração gravitacional, para proteger o planeta de maneira mais controlada e previsível [6].

A ameaça representada por asteroides, como o que causou a extinção dos dinossauros, continua a ser um desafio significativo para a humanidade. O asteroide 2024 YR4, atualmente monitorado por telescópios em todo o mundo, exemplifica as complexidades dessa questão. Embora a probabilidade de um impacto direto seja baixa, as consequências de um possível choque, como a destruição de uma cidade inteira, tornam sua observação e estudo cruciais. As abordagens de defesa planetária, como o desvio cinético e a tração gravitacional, estão em desenvolvimento e oferecem alternativas mais seguras em comparação ao uso de armas nucleares (que envolvem grandes riscos técnicos e políticos). Nesse contexto, é fundamental que a comunidade científica continue a aprimorar as tecnologias de diminuição de risco destas colisões e mantenha uma colaboração internacional estreita para garantir que, se uma ameaça real surgir, a humanidade tenha as ferramentas e estratégias necessárias para enfrentá-la de maneira eficiente e controlada.

Referências Bibliográficas

[1] Caroline K. Asteroide que matou dinossauros era uma bola gigante de lama, diz estudo. Terra. Disponível através do link: https://www.terra.com.br/byte/ciencia/asteroide-que-matou-dinossauros-era-uma-bola-gigante-de-lama-diz-estudo,a3bbd7e73048c7a9c5687ea774333223m8jgz6h5.html. Acesso em: 07 mar. 2025.

[2] Superinteressante. Asteroide na Terra em 2032? Entenda por que o impacto é improvável. Disponível através do link: https://super.abril.com.br/ciencia/asteroide-na-terra-em-2032-entenda-por-que-o-impacto-e-improvavel. Acesso em: 07 mar. 2025.

[3] Chow D. That asteroid heading near Earth in 2032? The impact probability is now just 0.004%, NASA says. Disponível através do link: https://www.nbcnews.com/science/space/asteroid-hit-earth-why-chances-keep-changing-rcna192723. Acesso em: 07 mar. 2025.

[4] Talbert P. 2024 YR4. Disponível através do link: https://science.nasa.gov/solar-system/asteroids/2024-yr4/. Acesso em: 07 mar. 2025.

[5] Venancio L. Conheça os locais mais prováveis para queda de asteroide na Terra em 2032. Disponível através do link: https://revistaplaneta.com.br/conheca-os-locais-mais-provaveis-para-queda-de-asteroide-na-terra-em-2032/. Acesso em: 07 mar. 2025.

[6] Sacani S. Podemos Destruir O Asteroide 2024 YR4 Com Bombas Atômicas. Disponível através do link: https://spacetoday.com.br/podemos-destruir-o-asteroide-2024-yr4-com-bombas-atomicas/. Acesso em: 07 mar. 2025.

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