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Probióticos: microrganismos vivos benéficos

Flávia Cristina Policarpo Tonelli, Isabela Maia Pereira

Pós-graduandas do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (UFSJ-CCO)

v.3, n.3, 2025

Março de 2025

Os probióticos são microrganismos vivos, tais como bactérias e leveduras que,  quando consumidos em doses adequadas, são capazes de melhorar a saúde intestinal, contribuindo para o bem-estar dos indivíduos. Pesquisas revelam que o conceito de probiótico foi proposto pela primeira vez pelo pesquisador Ellie Metchnikoff. Em sua obra “O Prolongamento da Vida”, publicada em 1907, ele sugeriu que as bactérias tinham um papel fundamental na saúde dos adultos, ao notar que camponeses búlgaros apresentavam maior tempo de vida quando consumiam leite fermentado [1]. Além disso, o cientista  acreditava que o envelhecimento poderia ser prevenido através da modificação da  microbiota intestinal com o uso de “micróbios úteis” [2]. O termo microbiota, por sua  vez, diz respeito ao conjunto de microrganismos, principalmente bactérias, que fazem  parte de um ecossistema ou ambiente. 

Em meados dos anos noventa, o pediatra francês Henry Tissier observou que as  fezes de crianças com diarreia apresentavam um menor número de bactérias com formato de Y – conhecidas anos mais tarde como “bifidobactérias” – quando comparadas com as  de uma criança saudável [3]. Vendo essa situação, ele passou a receitar a administração oral desses microrganismos com o objetivo de ajudar a melhorar a microbiota intestinal  dos pacientes com diarreia [4]. 

A caracterização mais atual para o termo “probiótico”, que foi melhorada várias vezes, é “microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, conferem um efeito de saúde ao hospedeiro” [2]. São exemplos organismos dos gêneros LactobacillusBifidobacterium. De acordo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é indicada uma dose diária mínima viável de 108 a 109 UFC por grama ou por mL do  produto (Unidade Formadora de Colônias, ou seja, o  número de bactérias presentes em cada grama ou mililitro do produto), entretanto, se comprovada a eficácia pela empresa, valores menores são aceitos [5].

 

É importante que se diferencie os probióticos dos prebióticos, bastante discutidos  atualmente. Embora ambos sejam utilizados para melhorar a saúde intestinal, estes não são microrganismos. São substâncias alimentares como carboidratos (açúcares), que o intestino humano não consegue absorver completamente e nutrem os microrganismos  benéficos que vivem neste órgão [2].

 

A principal função de um probiótico está relacionada com sua capacidade de transformar o ambiente intestinal do indivíduo, aumentando o número de microrganismos bons e, consequentemente, diminuindo o número de organismos causadores de doenças. Em seres humanos, é muito utilizado na prevenção e/ou tratamento de disbioses (desequilíbrios intestinais) causadas por doenças (intoxicação alimentar, viroses e, principalmente, intolerância a lactose) ou pelo uso de antibióticos [6]. Além disso, nos dias de hoje, cada vez mais os probióticos vêm sendo utilizados como alternativas alimentares, a fim de potencializar a saúde e a produtividade dos animais [7,8]. 

No Brasil, os probióticos são classificados como alimentos funcionais (sem glúten, sem lactose, enriquecidos ou fortificados, prebióticos e probióticos) e é necessário que o produto seja aprovado e registrado pela Anvisa [9]. Podem ser comercializados como sorvete, iogurte, cereais, queijo, barras nutricionais, leite fermentado (Figura 1), além de serem adicionados a produtos cosméticos, fórmulas infantis e pílulas liofilizadas (em pó) [10, 11].

Nos dias de hoje, os alimentos funcionais estão cada vez mais populares, o que está relacionado, principalmente, com a predileção dos consumidores por produtos naturais, de baixa caloria e cuidados com a saúde [12, 13]. Nesse cenário, o setor de probióticos rege esse tipo de mercado, visto que seu consumo vem sendo bastante apoiado pela comunidade médica e acadêmica, o que é justificado por todos os benefícios e inovações demonstrados [14]. 

O mercado global de probióticos foi cotado em quase US$ 7 bilhões em 2021, com uma estimativa de crescimento de 3,75% até 2026. Segundo a International Probiotic Association (IPA), o mercado cresceu de US$ 66,9 bilhões em 2022 para US$ 73,14 bilhões em 2023, com um crescimento anual de 9,3% [15]. É um mercado pouco discutido, porém em fase de grande crescimento, que não tem sido relacionado apenas como uma oportunidade, mas também como uma alternativa sustentável para preservar a indústria de alimentos, além de suprir as exigências dos consumidores da atualidade e do futuro.

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Figura 1: Bebidas probióticas.

Fonte:  Radical Mallard.

Referências Bibliográficas

[1] Metchnikoff, E. The Prolongation of Life: Optimistic Studies. William Heinemann: London, UK. 1907; 161-183. 

[2] Zommiti M, et al. Update of probiotics in human world: a nonstop source of benefactions till the end of time. Microorganisms. 2020; 12(8): 1907. 

[3] Tissier H. Traitement des infections intestinales par la méthode de la flore bactérienne de l’intestin. C.R. Soc. Biol. 1906; 60: 359-361. 

[4] Kerry RG, et al. Benefaction of probiotics for human health: A review. Journal of food and drug analysis. 2018; 26(3): 927-939. 

[5] Anvisa. Resolução de Diretoria Colegiada - RDC no 02, de 07 de janeiro de 2002. Aprova o Regulamento Técnico de Substâncias Bioativas e Probióticos Isolados com Alegação de Propriedades Funcionais e/ou de Saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília. 2002. 

[6] Guarner F, et al. Diretrizes Mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia, Probióticos e prebióticos. World Gastroenterology Organisation. 2023.

[7] De Carvalho LM, et al. Probióticos como aditivos melhoradores de desempenho produtivo e econômico de aves em produção: uma revisão. Observatório de La Economia Latinoamericana. 2024; 22(5): 4249. 

[8] Factori MA, et al. Ganho de peso de bovinos de corte alimentados com DBR SACCH Probiótico Concentrado Pó. 2024; 18(4): 1581. 

[9] ANVISA. Perguntas e Respostas: SUPLEMENTOS ALIMENTARES GERÊNCIA GERAL DE ALIMENTOS. Disponível através do link: https://abrir.link/O95Tp. Acesso em: 07 mar. 2025. 

[10] Suez J, et al. The pros, cons, and many unknowns of probiotics. Nature Medicine. 2019; 25(5): 716-729. 

[11] Da Silva EG, et al. Alimentos funcionais integrados com prebióticos e probióticos: uma revisão. Observatório de La Economia Latinoamericana. 2024; 22(5): 4911.

[12] Clarke TC, et al. Trends in the use of complementary health approaches among adults: United States, 2002–2012. National health statistics reports. 2015; 79:1.

[13] Hilachuk D, et al. Monitoramento tecnológico de probióticos para alimentação humana. Cadernos de Prospecção. 2022; 15(2): 362-378. 

[14] Draper K, et al. Probiotic guidelines and physician practice: a crosssectional survey and overview of the literature. Beneficial microbes. 2017; 8(4): 507-519.

[15] Zavisic G, et al. Antibiotic resistance and probiotics: knowledge gaps, market overview and preliminary screening. Antibiotics. 2023; 12(8): 1281.

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